Na semana do dia 25 de fevereiro, os membros do Rotary no Brasil celebrarão o aniversário da organização e a divulgação da sua causa - Erradicação da Pólio. O Brasil, que tem sido um pioneiro na erradicação da poliomielite, pode e deve dar um forte apoio para ajudar a comunidade global a acabar com essa devastadora doença em todo o mundo.
Nos anos 1980, o Brasil ajudou a desenvolver e realizar uma maneira nova e eficaz de imunizar um grande número de crianças contra a poliomielite. Nos chamados Dia Nacional de Imunização, milhões de meninos e meninas em todo o país foram vacinados contra a pólio, uma estratégia que tem sido replicada em muitos países do mundo.
A liderança do Brasil ajudou a pavimentar o caminho para ampliar a imunização nas Américas e, em 1994, toda a região foi certificada como livre da pólio.
Porém, enquanto a pólio está erradicada no Brasil, ela continua a debilitar crianças em outras partes do globo.
Em uma era de viagens e comércio internacionais, a existência dessa doença em qualquer lugar é uma ameaça às crianças de todo o planeta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o fracasso na erradicação da poliomielite pode levar, dentro de uma década, a cerca de 200 mil novos casos a cada ano de uma doença mortal que não conhece fronteiras.
A boa notícia é que o mundo está mais perto do que nunca de aniquilar a pólio. Nos últimos 25 anos, os casos de pólio caíram em mais de 99%. No ano passado, foi relatado o menor número de episódios já registrado. Enquanto a pólio atormentava mais de 125 países em 1988, hoje ela é endêmica em apenas três: Afeganistão, Paquistão e Nigéria.
Esse progresso é o resultado de um esforço lançado em 1988, chamado Iniciativa Global de Erradicação da Pólio. Essa parceria público-privada é liderada pelos governos nacionais, a Organização Mundial da Saúde, o Rotary International, os Centros Americanos para o Controle e a Prevenção de Doenças e o Fundo das Nações Unidas para a Infância. E conta, ainda, com parceiros-chave, incluindo a Fundação Bill & Melinda Gates e a Fundação das Nações Unidas.
Entre outras medidas importantes, o Iniciativa Global de Erradicação da Pólio tem fornecido os recursos necessários para os programas nacionais de vacinação contra a doença. Por exemplo, entre 1986 e 1991, o Brasil recebeu mais de US$ 6 milhões de dólares para os esforços de imunização.
O sucesso até o momento na luta contra a pólio é a prova de que o mundo pode superar grandes desafios quando trabalhamos em conjunto. Mas agora temos que terminar o trabalho.
Os avanços médicos, tecnológicos e outros tornaram possível acabar com a infecção nesta década. Ou seja, sabe-se como acabar com a pólio, mas precisamos de recursos e vontade política para fazê-lo. Devemos isso às crianças de todo o mundo.
A liderança do Brasil e seu apoio são urgentemente necessários nessa luta. Nosso país pode oferecer apoio político, técnico e financeiro para a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio. O Governo do Brasil deve considerar a importância do seu papel nessa causa. Além disso, o Brasil pode mobilizar os Brics e grupos do G20 a apoiar ativamente o esforço de erradicação global da pólio.
O Brasil ajudou a liderar a luta contra a pólio antes e pode fazer isso hoje de novo. O mundo tem uma oportunidade importante e a responsabilidade de proteger cada criança da paralisia infantil, mas só pode ter sucesso se trabalharmos juntos - como uma comunidade global e unida.
Para saber mais sobre pólio visite End Polio Now
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* Este artigo foi publicado inicialmente na revista SAÚDE!, da editora Abril. Fábio C. Barbosa é membro do conselho da Fundação das Nações Unidas e presidente executivo da Abril S.A